Mato Grosso do Sul já registrou 22 casos de feminicídio em 2026, estado tem a 3ª maior taxa de feminicídio do Brasil, com 2,7 assassinatos a cada 100 mil mulheres
A Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Semas) realizou, hoje (19), no Sinteban (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Bandeirantes) uma manhã de cidadania em alusão ao Agosto Lilás – Mês de Conscientização pelo Fim da Violência contra a Mulher.
Além da palestra com a defensora pública e coordenadora do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), Kricilaine Oksman, o evento contou com a participação da Secretaria de Saúde, que ofereceu vacinação, aferição de pressão e glicemia, com a equipe do TRE, que levou duas urnas eletrônicas para treinamento e com a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública, que realizou a emissão do novo RG.
Na abertura a secretária de Assistência Social, Francielly Ramos, afirmou que “falar sobre a violência contra a mulher é falar também sobre informação, prevenção, acolhimento, autonomia e acesso a direitos”.
“Muitas vezes, uma mulher não procura ajuda porque desconhece os serviços disponíveis, não sabe identificar determinadas formas de violência ou não conhece os mecanismos de proteção existentes”, alertou.
Mobilização da sociedade

A coordenadora do Nudem destacou que a violência doméstica contra a mulher é um problema da sociedade. “Há muito (tempo) nós não podemos mais falar o ditado antigo: briga de marido e mulher não se mete a colher, agora, quem trabalha com essa pauta, usa a frase: em briga de marido e mulher nós salvamos a mulher”.
Segundo a defensora, através dos anos, à mulher foi destinado o papel do cuidado, “ela foi confinada ao ambiente doméstico e o homem ao ambiente público”.
“Isso, por si só, não é um problema, não existe nenhum problema de um casal se organizar dessa forma e a mulher decidir cuidar da casa, cuidar dos filhos. O problema surge quando essa estrutura gera desigualdade, gera violência”, afirmou.
“O que não pode acontecer é isso ser imposto contra a vontade da mulher, o que não pode acontecer é ignorar o direito das mulheres de escolher o que elas querem para elas mesmas, para determinar como ela se veste, onde ela vai, com quem ela sai, se ela usa decote, saia curta ou não. O que não pode é o homem achar que nesse lugar de autoridade da família ele pode exigir da mulher a senha do celular, para ver com quem ela conversa”.
Kricilaine também afirmou que mesmo com o empoderamento da mulher, que começou a desempenhar outras funções na sociedade, muitos homens não admitem perder seu poder e querem continuar tomando sozinho as decisões sobre os assuntos familiares.
No final, ela fez uma convocação, “que todos nós sejamos rede de apoio, que nós, enquanto sociedade, sejamos intolerantes com a violência contra a mulher”.
Participaram do evento a primeira-dama, Marciley Pitaluga, o defensor público, Alberto Oxman, o promotor de justiça, Gustavo Henrique Bertocco, o soldado da Polícia Militar representando o Promuse (Programa Mulher Segura), Carlos Batista.
Agosto Lilás
As ações do Agosto Lilás continuam na quinta-feira (21) com palestra na empresa Só Sal e blitz educativa no Centro de Bandeirantes.
Na segunda-feira (24), a palestra acontece na Cerealista Rio Sul. Já na terça-feira haverá uma visita técnica à Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, com os alunos do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Ernesto Solon Borges.
Em caso de violência as vítimas podem ligar no 180, número da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24h. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, no número 190.
Ricardo Maia/Ascom
Foto: Ricardo Maia



