“O que a polícia militar mais atende de ocorrências é violência doméstica”, afirma sargento em palestra em Bandeirantes


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Palestra foi realizada em parceria com a Prefeitura de Bandeirantes e Câmara Municipal, com o apoio do vereador Eugênio Fernandes

O Mato Grosso do Sul convive com uma triste realidade, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, referentes a 2025, colocam o estado na 4ª colocação entre as unidades federativas com maior índice de feminicídios, com 39 mortes registradas, crescimento de 10,5% em relação a 2024.

Para conscientizar a sociedade e ajudar a mudar esses números o 9º Batalhão da Polícia Militar (PM) promoveu, na manhã de ontem (23), uma palestra educativa do Programa Mulher Segura (Promuse), na Câmara Municipal de Bandeirantes.

O Promuse é uma iniciativa da PM voltada a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher. Além de palestras, o programa realiza o monitoramento e a proteção das mulheres em situação de violência, a fiscalização do cumprimento das medidas protetivas, visitas técnicas às vítimas, orientações às famílias e articulação com a rede de atendimento e proteção.

Causas da violência 

O soldado Ricarde afirmou durante a palestra que as causas da violência contra a mulher são complexas, com vários fatores que podem desencadear os crimes. Ele destacou a desigualdade de gênero como um dos principais.

“Vivemos em uma sociedade que historicamente foi constituída pelo patriarcado. Nosso modelo social foi baseado no poder na mão do homem, vemos isso no nosso dia a dia. Olha o Congresso Nacional, olha o STF (Supremo Tribunal Federal), o poder na sociedade está voltado ao homem e a mulher fica na posição, normalmente, de cuidado e submissão”.

Segundo ele, muitas vezes, quando a mulher deixa de cumprir esse papel acontece a violência. “Não é um problema a mulher querer estar em casa, não é um problema querer cuidar do marido, isso é um direito da mulher, assim como é um direito dela querer sair para trabalhar, exercer sua profissão. O que discutimos é a violência que permeia o machismo”, afirmou.

Outra questão levantada pelo sargento é que a violência contra a mulher não é específica de uma classe social, ela atinge toda a sociedade. “Não é restrita a uma pessoa que estudou ou não estudou, a uma pessoa que tem dinheiro ou não tem dinheiro, essa violência chega em todas as classes”.

Ciclo de violência 

“Todo início é lindo, tudo perfeito, porém o agressor começa a provocar o momento de tensão. Começa um xingamento, um leve empurrão, um puxão de cabelo, aí ele diz: me desculpa, eu estava nervoso, não vai mais acontecer. Até que acontece uma agressão mais grave”, assim a sargento Almôas descreve o início do ciclo que pode terminar em mais um feminicídio.

Em muitos casos após a violência vem uma fase que é descrita como “lua de mel”. “Ele vai dizer: olha, isso foi um fato isolado, nunca mais vai se repetir, eu juro por Deus. Geralmente os agressores usam um discurso religioso, mas volta a acontecer e o ciclo se repete”.

Almôas relatou o atendimento de uma vítima que já havia pedido quatro medidas protetivas contra o agressor e depois voltava atrás. A sargento contou que teve uma conversa séria e disse que logo ela entraria para as estatísticas de feminicídio.

“Acho que ela ficou pensando nisso e, ontem, ela pediu nosso apoio para para ser conduzida para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para pedir o abrigo”.

A palestra contou com a presença do comandante do 9º Batalhão, capitão Rogério de Aquino, da secretária de Desenvolvimento e Turismo, Gediana Ribeiro e da secretária de Assistência Social e Cidadania, Francielly Ramos.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Ricardo Maia/Ascom

Foto: Ricardo Maia